CSI: em um dia, polícia do DF desvenda crime de professora graças a banco de dados de RGs

Polícia cruzou a digital encontrada no veículo com dados do instituto de identificação

Por Higor Sousa
Do R7

Polícia cruzou a digital encontrada no veículo com dados do instituto de identificação

Por Higor Sousa
Do R7

Higor Sousa

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Instituto de Identificação de Brasília é o único que tem 100% dos prontuários digitalizados

O Instituto de Identificação da Polícia Civil do Distrito Federal é pioneiro no Brasil na digitalização de informações de todos que têm RG (Registro Geral) na capital. Desde 2009, ao tirar o documento, a polícia armazena nome completo, data de nascimento, estado civil, sexo, nacionalidade, filiação, endereço e imagens (foto e impressões digitais) dos brasilienses.
E foi graças a esse sistema que em menos de 28 horas a polícia prendeu o suspeito – que depois confessou o crime – de matar estrangulada a professora Christiane Silva Mattos, de 37 anos, na noite de quinta-feira, 28 de março.
No carro da professora morta no Parque da Cidade, que havia saído para comprar ovos de Páscoa para os dois filhos pequenos, a polícia encontrou impressões digitais. Ao cruzar as digitais encontradas dentro do veículo da professora com as informações do banco de dados do Instituto de Identificação a polícia descobriu que eram de Walisson Santos Lemos, morador de Santa Maria, região administrativa do DF, que já tinha passagem pela polícia por injúria.
Inicialmente a polícia havia divulgado que de que o acusado teria duas ocorrências por Lei Maria da Penha (agressão contra duas ex-mulheres), mas essa declaração foi contestada pela Divicom (Divisão de Comunicação da Polícia Civil) ao afirmar que Walisson só tinha uma passagem por injúria.
De todas as 27 unidades federativas no País, o Distrito Federal é o único que tem 100% dos prontuários digitalizados no sistema. Basta um clique para que se consiga ter informações a respeito de uma pessoa.
De acordo com o diretor do Instituto de Identificação da Polícia Civil, Carlos César de Sousa, os estados como Rio de Janeiro, Bahia e Rio de Grande do Sul também começaram a utilizar a identificação biométrica. Porém, não são todas as pessoas nesses lugares que estão no sistema.

— Esses estados só colocaram no banco de dados as que começaram a tirar a identidade agora. Os outros indivíduos que retiraram o RG há alguns anos, antes de trabalharmos com a identificação automatizada, ainda não estão no sistema. Só o DF é que já colocou todos os registros na impressão digital.

O custo anual da polícia para manter o sistema ativo é de R$ 5 milhões. Valor que, segundo o diretor do Instituto de Identificação, vale a pena ser investido. Ele diz que para vários crimes, em especial os de falsidade ideológica, a identificação biométrica tem ajudado.

— Desde que implantamos a identificação automatizada, os crimes são solucionados com mais agilidade. É algo mais rápido.

Banco de Vestígios de Crimes Sexuais

Além das informações digitalizadas no cadastro do RG, o Distrito Federal dispõe de um banco de vestígios de crimes sexuais. Desde 1999 a polícia do Distrito Federal coleta e armazena informações genéticas de vestígios identificados em cenas de crimes sexuais, como sangue, cabelo e sêmen. O diretor do Instituto de DNA Forense, Samuel Ferreira, explica como funciona o banco.

— A diferença do banco de vestígios para o Instituto de Identificação é que no banco há informações de material biológico que ficam armazenados no nosso sistema.

Ele explicou que se em uma cena de crime a polícia encontrar algum fio de cabelo, por exemplo, essa informação fica com a polícia até encontrar um suspeito.

— Quando localizamos o acusado, aquele fio de cabelo é comparado com o DNA dele e fica armazenado no nosso banco.

Outro sistema informatizado que deve ajudar a polícia a desvendar crimes é o RIC (Registro de Identidade Civil), cartão com chip que vai substituir os RGs em todo o Brasil. Desta forma, a identificação do suspeito pode ser feita mesmo que ele tenha tirado o RG em outra unidade da federação. O diretor do Instituto de Identificação, Carlos Cesar de Sousa, acredita que o benefício deve começar a funcionar no DF daqui a alguns anos. Ele explica que ainda tem de se pensar sobre os custos que a nova identidade irá gerar.

— Com as identidades em papel, a polícia tem um gasto de R$ 0,47 por documento. Com a nova identificação de chip, o custo passará para R$ 21. Eu acredito que daqui cinco a sete anos isso será possível.

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