Copa do Mundo pode deixar 250 mil pessoas sem casa, diz estudo

Possível remoção forçada deveria ser investigada, na opinião de especialista

Gabriel Vendramini
Do R7

Divulgação/Odebrecht

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Itaquerão está com obras avançadas para receber a Copa do Mundo, em junho de 2014

A ONG brasileira Ancop (Articulação Nacional dos Comitês Populares) produziu um vídeo de mais de dez minutos no qual mostra que mais de 250 mil pessoas pelo Brasil podem ter sido desalojadas de suas casas por causa das obras para a Copa do Mundo 2014. Esse número faz parte de um levantamento feito pela entidade nas 12 cidades-sede escolhidas para abrigar os jogos da Copa do Mundo.
No documentário, são vistos relatos de moradores das principais capitais brasileiras onde estão sendo construídos os estádios, cenas de brutalidade de policiais militares, como pontapés em tapumes e truculência, e o desespero de pessoas questionando para onde iriam após a desocupação.
Os possíveis desalojados reclamam também da falta de diálogo entre governo e moradores. Alguns afirmam que eram forçados a assinar um documento que os intimava a se retirarem do local que moravam em 24 horas. Muitos viram suas casas serem destruídas na sua própria frente.
Ainda segundo o vídeo, só em São Paulo foram desalojadas cerca de 89.200 pessoas para a construção da Arena Corinthians, palco da abertura da Copa do Mundo. De acordo com a professora Raquel Rolnik, que é relatora da ONU ao direito de moradia adequada, o caso é uma violação dos direitos humanos.

— A primeira grande violação é a absoluta falta de diálogo em Itaquera. Esse projeto não foi absolutamente discutido e debatido por ninguém, nem localmente. As informações sobre remoções são absolutamente desencontradas. Não sabemos quais são de fato.

No vídeo, moradores espalhados por São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre, Manaus, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Natal, Fortaleza, Brasília e Cuiabá dizem não serem contra as obras da Copa, mas cobram das autoridades condições pelo menos iguais às que tinham no lugar onde moravam.
O que pode acontecer é que os possíveis desalojados sejam realocados em casas às vezes sem as mesmas condições, em lugares distantes de onde estavam, sem escola por perto, sem segurança ou conforto, como relatado no documentário.
Esses locais seriam afastados dos arredores dos estádios, que são as regiões mais valorizadas a partir da construção. Esta realocação não traria benefício algum para o morador despejado, de acordo com Raquel Rolnik.

— Eu acho que o que vai acontecer aqui em São Paulo e em vários outros locais onde os projetos relacionados à Copa foram encaminhados é um processo de valorização imobiliário não regulado, não dispensado e uma disfunção no mercado, preços de imóveis maiores e mercadorias também. As pessoas de baixa renda, sobretudo locatárias, vão sofrer.

A ONG chegou a participar do Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, na Suíça, organizado pela ONU, e defende que “o governo brasileiro pare imediatamente as remoções forçadas e, em parceria com as comunidades afetadas, crie um plano nacional de reparações e um protocolo que garanta os direitos humanos em caso de despejos causados por grandes eventos e projetos”.
Questionado sobre o assunto, o departamento de comunicação do COL (Comitê Organizador Local) da Copa do Mundo 2014 pediu à reportagem do R7 para que entrasse “em contato com as autoridades locais”, mesmo sendo um assunto de responsabilidade do próprio COL.
Veja abaixo o vídeo que mostra os números dos desalojados pela copa:

[videolog 988238]

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