Coluna televisiva: Novos slogans de protestos desatualizam Saramandaia

Em 2013, sob a escrita de Ricardo Linhares, a novela volta mais política

Daniel Castro
Do R7

Estevam Avellar/TV Globo/Divulgação

https://i1.wp.com/noticias.r7.com/blogs/daniel-castro/files/2013/06/noname15.jpg
José Mayer e Gabriel Braga Nunes em cena de Saramandaia

Quando foi ao ar, em 1976, a primeira versão de Saramandaia, de Dias Gomes, tinha no realismo mágico e no microcosmo da cidade dividida entre duas poderosas famílias uma criativa crítica à ditadura.
Em 2013, sob a escrita de Ricardo Linhares, a novela volta mais política. Não há mais porquê metaforizar. A expressão é livre.
Então, a nova Saramandaia é quase tão rica em referências políticas quanto em efeitos especiais.
Estão lá as tentativas de controlar a mídia, quando Zico Rosado (José Mayer) diz que não dá para colocar mordaça na internet.
As citações vêm do início dos anos 1990, com as expressões “imexível” e “cara-pintada”, do governo Collor e do movimento que o tirou do poder. Vêm também dos anos Lula, com os “aloprados” e a prática de algo que lembra o mensalão, a compra de políticos.
Uma passeata com caras-pintadas logo no primeiro capítulo parecia ser um gol da nova Saramandaia em plena efervescência popular.
As referências à política das últimas duas décadas, no entanto, deixaram a novela defasada diante dos acontecimentos das últimas semanas.
Não que isso comprometa a produção. Pelo contrário, pode valorizá-la ainda mais.
Porém há algo mais novo vindo das ruas do que a novela, escrita antes dos reajustes das tarifas de ônibus, capta.
As cartolinas agora pedem educação, saúde e transporte de qualidade. Protestam contra a corrupção, a violência policial e os gastos bilionários em estádios para a Copa do Mundo. Rechaçam os partidos, os sindicatos e os políticos. E não têm líderes.
Em coro, os jovens gritam “Olha que vergonha, a tarifa está mais cara do que a maconha”.
A esquizofrenia pós-moderna da Revolta do Vinagre é mais “louca” do que o realismo mágico dos anos 1970 revisitado pela tecnologia.

Anúncios

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Colunas, Televisão e marcado , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s