JMJ: falhas apontam preocupações com transporte na Olimpíada no Rio

Pane no metrô, poucos ônibus e táxis com preços abusivos foram alvos de críticas

Do R7

Montagem/R7


JMJ tropeçou nas falhas de transporte e organização ao longo da última semana

A Jornada Mundial da Juventude atraiu cerca de 2 milhões de peregrinos ao Rio de Janeiro, agitou a cidade durante a última semana e ficou marcada pelo bom-humor e palavras de cobrança do papa Francisco. Entretanto, o evento que mobilizou multidões por cada canto da capital fluminense acabou marcado por problemas na organização, sobretudo em relação aos transportes. Os transtornos servem de alerta para a sede da Olimpíada de 2016.
O escoamento de peregrinos após a missa de encerramento, celebrada na manhã de domingo (28), em Copacabana, zona sul, resumiu o gargalo estreito em que se transformou o sistema de transportes carioca. Apesar de a concessionária liberar as catracas das estações de metrô Siqueira Campos e Cardeal Arcoverde para fazer fluir o ir e vir dos passageiros, filas gigantescas se formaram pelas ruas do bairro. A celebração, que contou com 3 milhões de pessoas, foi transferida às pressas para a praia da zona sul, depois que o Campus da Fé, em Guaratiba, na zona oeste, virou um mar de lama.
Após o anúncio da mudança, o prefeito Eduardo Paes pediu a compreensão dos moradores do bairro.

— Sei que não era o programado, mas contamos com a colaboração e compreensão dos moradores de Copacabana. Afinal, vamos ter cinco réveillons em uma semana.

O prefeito afirmou também que nenhuma cidade do mundo seria capaz de fazer escoar com eficiência a multidão que acompanhou a missa do papa.

— Por isso, pedimos que os peregrinos ficassem um pouco para os shows que viriam após a missa. Em nenhum lugar do mundo você consegue deslocar 3 milhões de pessoas ao mesmo tempo. Não suporta.

Os problemas com o metrô, porém, não se restringiram à grande demanda de domingo. Os transtornos viraram rotina entre os dias 22 e 28, período em que o papa Francisco esteve no Rio. Na terça-feira (23), uma pane elétrica parou o metrô por cerca de duas horas, no horário de pico. De acordo com a concessionária responsável, um cabo de energia se rompeu. Peregrinos que seguiam para a missa de abertura da JMJ, às 19h, em Copacabana, encontraram dificuldades.
Embora o metrô tenha se destacado negativamente, as falhas no transporte foram além. Peregrinos reclamaram também dos poucos ônibus e do preço abusivo dos táxis, que fixavam o valor de corridas ao invés de ligar o taxímetro. A juventude que tomou as ruas do Rio para a JMJ criticou ainda a sinalização confusa, a falta de banheiros e a lotação de bares e lanchonetes.

Organização confusa

As marcas negativas da jornada foram complementadas por falhas de comunicação entre prefeitura e comitê organizador. Na segunda-feira, quando o papa passava pelo centro, a indicação errada de caminho fez o carro que levava o pontífice parar engarrafado na avenida Presidente Vargas. Uma multidão cercou o veículo.
Outro ponto que chamou a atenção pela falta de planejamento e precaução se refere ao Campus da Fé. O terreno preparado em Guaratiba para receber eventos da JMJ, incluindo a missa de encerramento, se transformou em um lamaçal após seguidos dias de chuva.
Comerciantes que investiram para receber visitantes como nunca e peregrinos que se hospedaram próximo a Guaratiba viram tudo correr água abaixo. Um grupo de oito amigos microempresários chegou a gastar R$ 100 mil para alugar lojas no bairro e comprar estoques de comida e bebida. O investimento foi em vão, como explicou Marcelo Rosa. Ele chegou a vender o carro para participar da “vaquinha”.

— Quando o Exército veio aqui e começaram os boatos de que o evento seria cancelado, fiquei sem chão. Eu tenho oito filhos, deixei de pagar pensão. Vendi meu carro, passei o ponto onde eu tinha um comércio para alugar outro, maior.

Anúncios

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Cidades e Cotidiano e marcado , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s